segunda-feira, 3 de outubro de 2011
domingo, 2 de outubro de 2011
Associação Cultural Fanfarra Musical de Ibirataia- FAMUIBI, inicia a XVII- Campeonato Baiano de Fanfarras e Bandas- 2011 com o pé direito
A XVII- Edição do Campeonato Baiano de Fanfarras e Bandas promovida pela Associação Baiana de Fanfarras e Bandas- AFAB-BA teve seu inicio no dia 28 de Agosto de 2011 na cidade de Lauro de Freitas-BA com o evento intitulado de CONFANRESOL.
O palco da grande festa da música instrumental e de belas coreografias ficou em Salinas da Margarida-BA, onde a Associação Cultural Fanfarra Musical de Ibirataia- FAMUIBI veio a se apresentar e iniciar a sua participação no campeonato rumo a grande final que será realizado na cidade da matriarca dos Velosos, Santo Amaro da Purificação- BA.
Contudo chegando o grande momento de se apresentar em Salinas da Margarida- BA etapa classificatória intitulada de XVII- CONFANSAM onde a mesma foi realizado no dia 17 de setembro do corrente ano onde a FAMUIBI fez a sua participação no Grupo Musical Simples obtendo uma pontuação de 315 ponto, pontuação está que não alcançadas pela suas concorrentes, para o Presidente da FAMUIBI o Srº Sandro Laerth Souza dos Santos Filho, "este é o momento que temos que mostrar o nosso trabalho que vêem sendo desenvolvido com estes jovens músicos durante o ano letivo, sendo um momento impar que os mesmos têm de conhecer outras corporações e bandas". Esperamos com fé em Deus classificarmos a FAMUIBI para a grande final e fazermos uma festa única consagrando-se Campeã Baiana no ano de seus 20 anos de caminhada na formação de músicos.
Na oportunidade os nossos sinceros agradecimento a Prefeitura Municipal de Ibirataia, Secretaria de Educação, Cultura e Esportes, Colégio Municipal José Firmino da Silva, Colégio Municipal Paulo Souto, Colégio Estadual Dr. Antonio Carlos Magalhães e principalmente ao Presidente da Câmara Municipal de Vereadores pelo apoio que vem nos dando durante esta o campeonato.
A FAMUIBI conseguiu nesta etapa se consagrar-se campeã no CÍVICO, COREOGRAFIA, REGENTE, BALIZADOR E MOR, contudo podemos dizer que o incentivo e o reconhecimento por parte da comunidade para nós é de suma importância, por contribuindo com a formação de nossos alunos.
Haddad anuncia que serão gratuitos os mestrados e doutorados em educação
Cursos de pós-graduação, mestrados e doutorados em educação, mesmo em instituições privadas, serão gratuitos. O anúncio foi feito pelo ministro Fernando Haddad, na tarde desta sexta-feira, 30, durante o 7º. Congresso Inclusão: Desafio Contemporâneo para a Educação Infantil, promovido pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Unidades de Educação Infantil da Rede Direta e Autárquica do Município de São Paulo (Sedin).
Haddad explicou que deve assinar nos próximos dias uma portaria que dará a esses cursos o mesmo mecanismo do Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies). Os professores que decidirem fazer o curso e trabalharem nas redes públicas terão a dívida saldada automaticamente. O ministro da Educação admitiu que trabalha com dificuldade em um modelo de avaliação para a educação infantil. “Faço um desafio para vocês. Me mostrem os casos de sucesso e de eficiência para que possamos tabular esses valores.”Haddad creditou ao presidente Lula a inclusão da educação infantil no Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), além do fornecimento de merenda, transporte escolar, biblioteca e livro didático. “O que mais me impressionou quando eu cheguei ao Ministério da Educação foi a constatação de que não só não havia mecanismos de financiamento, como não se dava importância a um ciclo tão importante da formação da criança.” O ministro lembrou da emenda constitucional que tornou obrigatória a educação dos quatro aos 17 anos e qualificou o Programa de Reestruturação da Rede Escolar Pública (ProInfância) como o maior programa de expansão da rede física educacional. “A presidenta Dilma conveniou 4 mil creches e destinou recursos para 6.400 creches em todo o pais, 172 apenas na cidade de São Paulo. Além disso, o Ministério da Educação vai se responsabilizar pelo primeiro ano de custeio antes do censo” – concluiu.
Assessoria de Comunicação Social
sábado, 10 de setembro de 2011
"A Internet nos ajuda, mas ela sozinha não dá conta da complexidade do aprender"
A afirmação é do professor José Manuel Moran. Ele fala sobre o uso da Internet na educação, fundamentado seu pensamento na "interação humana",
de forma colaborativa, entre alunos e professores.
de forma colaborativa, entre alunos e professores.
José Manuel Moran é um dos maiores especialistas brasileiros no uso da Internet em sala de aula. Por isso, não se espere dele o deslumbramento do marinheiro de primeira viagem. Timoneiro experiente, ele conduz o barco devagar. Para o educador que acessa a rede pela primeira vez, ele adverte que nem sempre a maré está para peixe. "A Internet nos ajuda, mas ela sozinha não dá conta da complexidade do aprender hoje, da troca, do estudo em grupo, da leitura, do estudo em campo com experiências reais". A tecnologia é tão-somente um "grande apoio", uma âncora, indispensável à embarcação, mas não é ela que a faz flutuar ou evita o naufrágio. "A Internet traz saídas e levanta problemas, como por exemplo, saber de que maneira gerenciar essa grande quantidade de informação com qualidade", insiste.
A questão fundamental prevalece sendo "interação humana", de forma colaborativa, entre alunos e professores. Continua a caber ao professor dois papéis: "ajudar na aprendizagem de conteúdos e ser um elo para uma compreensão maior da vida". Se o horizonte é o mesmo, os ventos mudaram de direção. É preciso ajustar as velas e olhar mais uma vez a bússola. E José Manuel Moran foi traçar rotas em mares nunca dantes navegados. A novidade é que "hoje temos a possibilidade de os alunos participarem de ambientes virtuais de aprendizagem". O grande desafio é "motivá-los a continuar aprendendo quando não estão em sala de aula".
Os educadores que não quiserem se lançar ao mar, muito apegados à terra firme, poderão ficar a ver navios. Mas não há mais porto seguro: o oceano de informações que a Internet disponibiliza aos alunos obrigará os professores a se atualizar constantemente e a se preparar para lidar com as múltiplas interpretações da realidade. Espanhol que atracou no Brasil, Moran abandonou por alguns momentos sua tripulação do curso de Rádio e Televisão da Escola de Comunicações e Artes da USP e nos concedeu esta entrevista.
O senhor diz que não se deve esperar soluções mágicas da Internet. Que expectativas devemos ter das novas tecnologias na educação?
Prof. José Manuel Moran - Nós esperamos que a tecnologia — teoricamente mais participativa, por permitir a interação — faça as mudanças acontecerem automaticamente. Esse é um equívoco: ela pode ser apenas a extensão de um modelo tradicional. A tecnologia sozinha não garante a comunicação de duas vias, a participação real. O importante é mudar o modelo de educação porque aí, sim, as tecnologias podem servir-nos como apoio para um maior intercâmbio, trocas pessoais, em situações presenciais ou virtuais. Para mim, a tecnologia é um grande apoio de um projeto pedagógico que foca a aprendizagem ligada à vida.
Apesar de ser professor de novas tecnologias, o senhor acredita que, antes disso, há uma mudança mais urgente a ser feita no modelo de educação. Qual seria essa mudança?
Prof. José Manuel Moran - O que estamos vendo é que formas de educar com estrutura autoritária não resolvem as questões fundamentais. A questão não é tecnológica, mas comunicacional. A tecnologia entra como um apoio, mas o essencial é estabelecer relações de parceria na aprendizagem. Aprende-se muito mais em uma relação baseada na confiança, em que alunos e professores possam se expressar. Criar e gerenciar esse ambiente é muito mais importante que definir tecnologias. Embora eu trabalhe com elas, noto que o foco está na interação humana, presencial ou virtual. Preocupa-me muito a dificuldade que temos em estabelecer relações participativas, porque todos nós carregamos estruturas tremendamente autoritárias, sendo submissos ou dominadores, e reproduzimos isso na escola. A cultura da imposição, do controle, é talvez a barreira mais difícil de derrubar no processo pedagógico.
O senhor faz uma distinção entre ensino e educação, esta última sendo a integração do ensino com a vida. É evidente a maneira como as novas tecnologias podem contribuir para o ensino. Mas como elas podem contribuir para a educação?
Prof. José Manuel Moran - Quando falamos de ensino, focamos a aprendizagem de alguns conteúdos. A educação é um processo muito mais integral, que nos ocupa a vida toda, e não somente quando estamos na escola. E o professor tem esses dois papéis: ajudar na aprendizagem de conteúdos e ser um elo para uma compreensão maior da vida, de modo que encontremos formas de viver que nos realizem e desenvolvam nossas capacidades. Isso não depende da tecnologia, mas da atitude profunda do educador e do educando, de ambos quererem aprender. A tecnologia pode ser útil para integrar tudo que eu observo no mundo no dia-a-dia e para fazer disso objeto de reflexão. Ela me permite fazer essa ponte, trazer os conteúdos de forma mais ágil e devolvê-los de novo ao cotidiano, possibilitando a interação entre alunos, colegas e professores.
Uma de suas experiências mais bem-sucedidas consiste em partilhar os resultados das pesquisas escolares pela Internet. Que mudança isso provoca no rendimento dos alunos?
Prof. José Manuel Moran - É uma concepção do aprender de forma cooperativa e não competitiva. A aprendizagem estava muito voltada só para conseguir notas, ver quem chegava primeiro. Dentro dessa visão — que não se dá apenas com a tecnologia, mas também na sala de aula comum —, a proposta é colocar a interação na prática. Hoje temos a possibilidade de os alunos participarem de ambientes virtuais de aprendizagem, tanto de uma forma simples, publicando um trabalho em uma página, quanto criando debates, fóruns ou listas de discussão por e-mail. Cada escola e cada professor, dependendo do número de alunos que ele tenha ou da situação tecnológica em que se encontra, pode buscar soluções mais adequadas. O importante é o foco, que o aluno e o professor sejam estimulados a fazer parte de um espaço virtual de referência que disponibilize o que é feito em sala de aula. Eu creio que essa área de visibilidade liberta a sala de aula do espaço e do tempo físico. Porque depois, fora da aula, pode-se encontrar um pouco do que foi dito pelo professor, o que foi feito pelos alunos.
O senhor afirma que as novas tecnologias exigem muito esforço dos professores e, por outro lado, defende que "o aluno já está pronto para a Internet". Em que aspectos o aluno estaria em vantagem em relação ao professor?
Prof. José Manuel Moran - Ele é privilegiado na relação que tem com a tecnologia. Ele aprende rapidamente a navegar, sabe trabalhar em grupo e tem certa facilidade de produzir materiais audiovisuais. Por outro lado, o aluno tem dificuldade de mudar aquele papel passivo, de executor de tarefas, de devolvedor de informações. Na prática, acaba assumindo um papel bastante passivo em relação às suas reais potencialidades. O aluno tem capacidade de ir muito além, ele está pronto. Porém, a escola impõe modelos autoritários, voltando ao começo, quando o professor controlava e o aluno executava. E isso não o motiva. Por isso, a mudança mais séria deve vir mesmo dos professores. O novo professor dialoga e aprende com o aluno. Isso pressupõe uma certa humildade que nos custa como adultos a ter. Nós queremos ter a última palavra.
Novamente baseado em suas experiências em sala de aula, o senhor observa que muitas vezes a navegação é mais sedutora que o trabalho de interpretação e concentração que a pesquisa exige e o professor deve estar atento para evitar que os alunos sejam muito dispersos em suas pesquisas. Isso significa que o professor terá, diante da tecnologia, de reproduzir o modelo de controle a que o senhor se opõe?
Prof. José Manuel Moran - Essa é uma questão difícil de resolver na prática. Muitos alunos estão numa fase da vida ainda de deslumbramento, estão curiosos. Eles não têm organização e maturidade para se concentrar em um só tema durante uma hora. Então eles abrem mil páginas ao mesmo tempo, se deixam naturalmente seduzir por certos temas musicais ou eróticos, conforme a sua idade. Esse conjunto de questões dificulta o trabalho com um tema específico. Essa também não é uma questão meramente da tecnologia ou do professor, mas da dificuldade de concentração diante de tantos estímulos.
Há um paradoxo nessa questão. Há uma quantidade de informação quase inesgotável acessível pela Internet. Por outro lado, quando se é confrontado com esse volume de informação, há a tendência de dedicar menos tempo à análise pela compulsão de navegar e descobrir novas páginas. Como se pode contornar isso?
Prof. José Manuel Moran - Em primeiro lugar, reconhecendo que há uma grande dificuldade. A Internet traz saídas e levanta problemas, como, por exemplo, saber de que maneira gerenciar essa grande quantidade de informação com qualidade e como encontrar no pouco tempo que temos em sala de aula, ou na interação via Internet, algo que seja significativo, que não seja somente lúdico. Porque o que interessa é se essa navegação me leva a uma compreensão maior da realidade. Do ponto de vista metodológico, procuro um equilíbrio: nem impor demais o processo, que amarra o aluno, nem deixar que as coisas aconteçam a seu bel-prazer. Eu trabalho com dois momentos. No primeiro, mais aberto, eu coloco um tema em discussão e o aluno procura a informação por si. Depois de um certo tempo, passamos a partilhar o resultado das pesquisas, focamos um determinado artigo ou outro material, para que não fique muito disperso. Mas é importante que os alunos não atendam somente a uma determinação prévia do professor. Creio que esse pode ser um caminho para minimizar a clara tentação de dispersão na pesquisa via Internet. A Internet reforça a tendência dispersiva que os alunos têm no cotidiano, quando eles ficam estudando e ouvindo música, tudo ao mesmo tempo.
Outro equilíbrio que o senhor considera difícil de alcançar é entre o deslumbramento dos alunos pelas novas tecnologias e a resistência de alguns dos professores a esses novos métodos de acesso à informação.
Prof. José Manuel Moran - Eu percebo que as atitudes vão mudando aos poucos, que já houve resistência maior. Mas há professores que inconscientemente fazem o mínimo possível para utilizar a tecnologia, no máximo usam o Word. Eles não usam técnicas de pesquisa ou de apresentação mais avançadas em sala de aula, nem trabalham com criação de páginas. Então há uma parte dos professores de escolas particulares que, mesmo tendo laboratórios e acesso à Internet, resistem a métodos que não sejam tradicionais. Por outro lado, há os que descobrem as novas mídias e esquecem uma série de formas que podem ser interessantes em sala de aula, preferindo sempre jogar os alunos no laboratório, como se fosse uma grande solução. A Internet nos ajuda, mas ela sozinha não dá conta da complexidade do aprender hoje, da troca, do estudo em grupo, da leitura, do estudo em campo com experiências reais. Equilibrar o melhor do ensino presencial, o estarmos juntos, e o melhor do espaço virtual é básico. Mas ninguém teve experiência até agora com o equilíbrio desses ambientes. Antes aprendíamos juntos apenas em sala de aula, e o aluno tinha de se virar para fazer suas atividades quando não estava na escola. Hoje podemos aprender quando não estamos fisicamente juntos.
O senhor atribui essa resistência ao fato de as novas tecnologias colocarem em xeque a posição do professor como detentor do saber. O aluno pode facilmente pesquisar algum tema e ver que há interpretações divergentes e que aquilo que o professor fala pode não ser bem assim. O senhor sente esse receio nos professores com os quais convive?
Prof. José Manuel Moran - O professor, desde que surgiu o livro, sempre teve um pouco de receio de que o aluno aprendesse outras versões além da dele. Só que hoje você tem muitas outras formas de informações em qualquer mídia, e a Internet agrava ainda mais a sensação de que o aluno pode encontrar informações que o professor não tem. Para o professor inseguro, é uma espécie de desafio encontrar uma prática que não seja a do controle. A tentação desse tipo de professor é fechar em cima de uma única versão. O professor mais maduro trabalha com múltiplas visões, tentando relativizar nosso conhecimento, mostrando que estamos construindo algo que é provisório. A nossa visão agora é esta: eu aprendo com o que o outro me traz. Essa visão é muito mais tranqüila. É a aceitação de que eu não sou onipotente, que não tenho respostas para tudo, não sou enciclopédia. Eu aprendo melhor reconhecendo a minha ignorância.
O senhor insiste em seus textos na importância da maturidade do professor ao lidar com a tecnologia. Quais são as experiências mais maduras que conhece de uso da Internet em sala de aula?
Prof. José Manuel Moran - Hoje há muitas escolas que estão tentando encontrar saídas. O que a maior parte delas faz é colocar os alunos em contato com a Internet em laboratórios e depois buscar atividades principalmente entre grupos que não estão fisicamente juntos. No mundo inteiro se trabalha com esse tipo de projeto. A etapa mais avançada, que começa agora na minha opinião, é desenvolver o conceito de gerenciamento de aula, integrando o que é feito pelos alunos quando estão juntos e fazendo com que o processo de aprendizagem continue quando eles não estão mais juntos. Hoje há uma série de programas de gerenciamento de ambientes virtuais que ajudam a trazer temas para a sala de aula. No fundo, é uma página incrementada com ferramentas de chat e de fórum em que os alunos vão colocar seus textos. Há uma série de softwares como o Eureka, o First Class, o Web Ct e o Blackboard.
De que forma o senhor utiliza esses ambientes virtuais mais integrados em seu processo pedagógico?
Prof. José Manuel Moran - Coordeno um curso de pós-graduação semipresencial em que, em alguns momentos, nós nos encontramos e, em outros, interagimos somente através da rede: apresentamos textos, discutimos questões. Temos a relação de uma aula presencial para duas virtuais. É o desafio que vamos enfrentar pelo menos no nível superior, fase em que os alunos não precisam ir todos os dias à aula. O desafio é motivá-los a continuar aprendendo quando não estão em sala de aula. Também estou coordenando programas de educação a distância em São Paulo. Educar a distância, mas de uma forma em que haja troca e não somente repasse de informação, que não seja somente colocar conteúdo em uma página e depois cobrar uma atividade. Estimular o aluno a aprender em ambientes virtuais é outro grande desafio pedagógico que temos hoje. Haverá muita "picaretagem" de instituições que pensam que educação a distância é uma forma de ganhar dinheiro.
O que o senhor teria a dizer a um diretor de escola pública, carente de recursos e com professores que nem sempre são os mais bem qualificados? Nessas circunstâncias é mais indicado investir em tecnologia ou centrar-se na capacitação de professores?
Prof. José Manuel Moran - Eu acho que não podemos mais ficar apenas nos lamuriando da falta de condições. É verdade que um diretor de escola não pode fazer nada sozinho. Isso exige vontade e investimentos públicos nos três níveis. Estou coordenando uma equipe que desenvolve um programa de educação a distância na rede pública estadual de São Paulo para capacitar professores, supervisores de ensino e pessoas que trabalham em Oficinas Pedagógicas (OTP). São profissionais que estão mais em contato com novas tecnologias. Na verdade estamos fazendo a capacitação em serviços a distância, juntando a Secretaria de Educação e a Universidade de São Paulo, através de uma fundação chamada Vanzolini, com o apoio do governo federal, do ProInfo.
*****
Para saber mais sobre o professor José Manuel Moran:
URL: http://www.eca.usp.br/prof/moran
E-mail: jmmoran@usp.br
Caminhos para a nossa realização
Texto do meu livro Aprendendo a viver. 4ª ed. São Paulo: Paulinas, 2008, p.75-79.
Gerenciar nossa complexidade
Quem pode conhecer os múltiplos caminhos do ser humano?
Há mil possibilidades de realização e de fracasso. A vida nos ensina a não aplicar a todos situações individuais, localizadas. Queremos que todos caibam nos nossos moldes mentais. Avaliamos os outros a partir das nossas idéias. Há algo de universal em cada pessoa. Mas há também algo de especificamente pessoal, de diferente, em todo processo de generalização.
Alguns têm tudo para ser felizes – riqueza, beleza, cultura – e , por vezes, os vemos profundamente insatisfeitos, irrealizados.Outros têm tudo para ser infelizes – pobres, sem grandes atrativos, sem estudos – e vivem com garra, força, de forma otimista.
Vemos irmãos, com a mesma educação, que pensam e vivem de forma totalmente diferente. Relacionamentos que parecem ideais, em que todos apostam, às vezes viram um fiasco e outros, de pessoas que nada têm em comum, inexplicavelmente dão certo.
Cada um de nós tem uma grande margem de mistério para os outros e para nós mesmos. Não somos capazes de conhecer todas as nossas possibilidades e reações; como podemos acreditar que conhecemos as dos outros?
Que caminhos seguir?
Todos os caminhos são importantes se nos ajudam a crescer como pessoas, a compreender melhor, a realizar-nos mais, a vivenciar formas mais ricas de comunicação e amor.
O melhor que podemos fazer pela sociedade, pelo mundo, pela família e por nós mesmos é sermos pessoas mais evoluídas, mais maduras, mais humanas.
Podemos conhecer mais e experimentar novas formas de viver, pela ação e pela reflexão, pela intensa comunicação com pessoas e pelo isolamento, pela adesão a uma religião ou a uma filosofia humanista.
Ninguém tem o monopólio de como chegar ao conhecimento ou às chaves da realização pessoal.
1. Uns podem chegar à realização pelo sofrimento – quando sabem enfrentá-lo
2. Outros, pelo contato com pessoas interessantes, por leituras estimulantes ou pelo estudo.
3. Uns, por formas diferentes de vivências religiosas: meditam, fazem ioga, se isolam, rezam
4. Outros organizam eventos, promovem ações concretas, visíveis, coordenam ou participam de vários grupos...
Qualquer situação ou interação pode ajudar-nos a evoluir, dependendo de como a encaramos. Tudo pode ser-nos útil para o contínuo crescimento, se conseguimos incorporá-lo à nossa vida como aprendizado, como incentivo, como um degrau a mais; se sabemos superar o que tenta prender-nos, o que tenta desvalorizar-nos, humilhar-nos, derrotar-nos.Todos os caminhos são bons se nos ajudam a evoluir. Há porém, caminhos destrutivos: a fuga, a alienação, a humilhação, a emoção contínua negativa, a comunicação inautêntica.Cada um de nós descobrirá que pode combinar e equilibrar ação e reflexão, leituras e práticas, isolamento e interação, humanismo e religiosidade, a partir das características pessoais, da sua própria trajetória do passado até o presente, do seu universo mental e emocional específico.
Avançaremos mais se aprendermos equilibrar planejamento e criatividade; organização e inovação; gerenciamento responsável e abertura para o novo, para o inesperado.
Daremos saltos de qualidade no conhecimento se estivermos atentos aos múltiplos signos da vida. A vida é como um lento desfolhar de novos sentidos, de novos significados: cada camada descoberta nos leva a novas perspectivas, ao aprofundamento de novas dimensões.
Viver nesta atitude de desvendamento revelador é uma das experiências mais gratificantes que o ser humano pode sentir.Encontraremos os melhores caminhos se sempre estivermos serenamente atentos para aprender, abertos para a novidade de viver cada dia da melhor forma possível, em cada momento, agora; atentos para o incentivo, para o apoio pessoal e interpessoal, para não nos deixar empolgar demais com os sucessos nem nos abater com os problemas e eventuais “fracassos”.
Encontraremos os melhores caminhos se soubermos aprender com cada circunstância que se nos apresente e se estivermos atentos a tantas formas bonitas de aprender a crescer. Vamos fazer a nossa parte e deixar fluir, dar margem ao imponderável.
- Ficar abertos para o novo. Aceitar as surpresas da vida, o que não esperávamos, tanto o “positivo” como o “negativo”.
- Monitorar nossas vidas com carinho, afeto, atenção. Aceitar-nos plenamente, continuamente, incondicionalmente. Aceitar o que fomos, o que somos, o que seremos.
- Rever o nossa passado como etapas de grande aprendizado, de evolução. Aceitá-lo como nosso, como algo que está em nós. Estar atentos aos sinais de impaciência, de crítica, de desânimo, de depressão.
- Não nos obrigar a carregar pesos insuportáveis. Assumir os descontroles eventuais, a perda de sentido, as indefinições. Apoiarmo-nos sempre, esperar sempre, confiar sempre.
- Incentivar-nos, dialogar permanentemente consigo mesmo, buscar apoio nas dimensões misteriosas do nosso universo, em tantas forças que interagem conosco, para poder perceber mais e mais a complexidade que nos rodeia.
- Acreditar sempre em nós mesmos, em nosso fluir como pessoas, que há um sentido maior para o nosso dia-a-dia, que tudo contribui para o nosso aprendizado e para o nosso aperfeiçoamento.
- Viver no presente, atentos ao futuro, mas sempre valorizando o que está acontecendo no aqui e agora, que nos acompanha e podemos transcender, mas nunca negar.
- Procurar viver com simplicidade, menos apegados aos bens e ao poder. Ir na contramão do consumismo, da posse, da ostentação.
- Ir na contramão da tendência de possuir, acumular, juntar, multiplicar bens, de ter de lucrar sempre, o mais possível, obsessivamente; das tendência de ostentar, mostrar status, luxo, poder, alto padrão de vida; da tendência de consumir, ter de comprar, de necessitar sempre de roupas, novidades, modas.
- Ter o necessário e procurar necessitar de cada vez menos coisas. É importante ter sem possuir, sem apegar-nos, sem deixar-nos dominar pelos objetos, pessoas, pelo desejo do que não é nosso.
- Comunicarmos da forma mais autêntica e aberta possível, colaborando para que haja maior entendimento e confiança. Manter um diálogo permanente com tudo que nos rodeia.
- Contribuir para que haja um clima mais harmônico ao nosso lado, para sermos elementos de união, e não de discórdia.
- Pedir desculpas a nós mesmos e desculpar-nos quando erramos, quando nos perdoamos, quando cometemos injustiças, críticas exageradas, julgamentos apressados. Viver no ritmo possível, no tempo possível, nas formas possíveis.
- Mudar os aspectos da nossa vida até onde formos capazes, para encontrar nossa identidade, nosso estilo, nossa forma de comunicação e de gestão.
O importante é estar vivenciando continuamente processos de liberdade e de realização, em todas as dimensões, na medida em que formos capazes, em cada momento das nossas vidas.
Assim iremos nos tornando pessoas mais livres, marcantes e realizadas.
Diferentes formas de relacionamento
Texto do meu livro Aprendendo a viver. 4ª ed. São Paulo: Paulinas, 2008, p.50-52.
No relacionamento com os outros nos revelamos, descobrimos, aprendemos, ensinamos. Expressamos nos relacionamentos como nos vemos, o que somos, o que tememos, em que estágio estamos de desenvolvimento e realização. Encontramos todas as formas e graus de relacionamento. Uns vivem sozinhos, isolados; outros se relacionam de forma superficial, previsível, padronizada, enquanto que alguns conseguem comunicar-se de forma mais autêntica e plena. Há isolamentos produtivos e outros destrutivos.
Algumas formas de isolamento ajudam: períodos de reencontro consigo mesmo, de busca do equilíbrio, de novas sínteses. Cada pessoa tem sua forma de isolar-se. É importante que cada um encontre a forma confortável de estar consigo, de reencontrar-se, de reequilibrar-se.
Algumas experimentam formas mais ou menos graves de isolamento, de dificuldade em comunicar-se, de confiar seus sentimentos ao outro. Para essas pessoas o relacionamento é ameaçador, fruto, talvez, de experiências frustrantes prévias, de medo do fracassar, de serem traídas, de serem enganadas...
Geralmente o isolamento provoca formas de intenso reforço do imaginário, da fantasia, dos mecanismos projetivos, da comunicação virtual (comunicação por chats e outras formas que não exijam o contato físico).
Geralmente o isolamento provoca formas de intenso reforço do imaginário, da fantasia, dos mecanismos projetivos, da comunicação virtual (comunicação por chats e outras formas que não exijam o contato físico).
Muitas pessoas desenvolvem formas de relacionamento relativamente satisfatórias, que preenchem algumas carências, dão segurança, conforto, apoio.
Algumas formas são mais superficiais, aparentes, ocasionais.
Outras avançam um pouco mais: conseguem manter um certo equilíbrio, se complementam em alguns pontos, mantêm uma atitude cooperativa, se revelam parcialmente, mas encontram dificuldade em vivenciar formas mais ricas de troca, de confiança, de conhecimento.
A sociedade nos padroniza, abaixa nossas expectativas, nos mediocriza, nos induz a contentar-nos com pouco, com a exterioridade, com as aparências, com a superficialidade das coisas. Na sociedade é mais importante parecer do que ser, fingir do que mostrar-se verdadeiramente. Muitos relacionamentos são mais aparentes do que reais, mais superficiais do que profundos, mais acomodados do que criativos. Se o outro nos incomoda é sinal de que mexe em questões mal resolvidas dentro de nós. Culpar o outro pelo fracasso, pelos nossos problemas é a saída mais fácil e inútil. O outro pode contribuir, sem dúvida, para a deterioração do relacionamento. A questão é por que nós continuamos em relacionamentos problemáticos ou por que determinadas situações nos afetam tanto.O relacionamento entre duas pessoas pode ser o caminho para a realização mais plena ou para uma das maiores formas de tortura já inventadas até hoje.
Todos temos muitas possibilidades que deixamos de lado. Acreditamos que não vale a pena ir além, que a "vida é assim mesmo", que o normal é isso, que já sabemos o suficiente para continuar agindo.
É importante aprender a quebrar as rotinas, os padrões, para buscar novas dimensões, desafios, percepções.
Algumas pessoas - é difícil precisar o seu número, mas certamente não são a maioria - conseguem desenvolver relacionamentos profundos, duradouros, de crescimento na compreensão, conhecimento e intercâmbio em níveis cada vez mais ricos, que integram o sensorial, o intelectual, o emocional e o transcendental. É um relacionamento maduro, de pessoas em processo de tornar-se mais e mais livres e que realizam trocas mais avançadas baseadas na comunicação confiante e autêntica.
Aprendendo com o fracasso
Texto complementar do meu livro Aprendendo a viver. 4ª ed. São Paulo:Paulinas, 2008. |
Uma das experiências mais difíceis é aceitar que falhamos em algo que para nós tinha importância. Que um relacionamento em que apostávamos, fracassou. Que fomos avaliados negativamente ou demitidos de uma atividade em que pensávamos ser competentes.
Fracassar em áreas importantes para a nossa identidade como a afetiva ou a profissional sempre traz seqüelas. Um relacionamento longo que se desfaz, mexe com a nossa auto-estima, nos faz sentir inferiores, nos leva a olhar aos outros como mais perfeitos ("eles conseguem manter relacionamentos, por que eu não?"). A mesma situação se repete em relação a um emprego importante ("Por que eu tive que sair, se tantas ficaram?").
Muitas pessoas começam a definhar a partir de um fracasso importante. Não se recuperam de uma separação não desejada.
Se observamos toda a trajetória posterior constatamos como no fundo estavam reagindo a essa não aceitação do fracasso. A ferida, a mágoa ficou lá dentro, muitas vezes escondida, mas viva, agindo, provocando ressentimentos, doenças, perda de sentido.
A não aceitação do fracasso traz conseqüências desastrosas.
É difícil gostar intimamente de nós da mesma forma. Somos tentados a procurar culpados – o outro – ou, ainda pior –nós. Nem a acusação aos outros nos ajuda nem culpar-nos adianta.
Num processo afetivo há mil variáveis que interferem, do real e do imaginário, do passado e do presente.
Ficar remoendo antigas escolhas, possibilidades que não aconteceram, só complica. "E se eu tivesse feito..."
Todos sabemos que poderíamos ter tomado outras decisões, ter estado mais atentos a certas crises.
Só podemos olhar ao passado para aprender se o fizermos em clima de não cobrança, nem de nós nem do outro.
Podemos olhar como num videotape de um jogo de futebol não para punir-se pelas falhas, mas para perceber nossos mecanismos de sobrevivência, de relacionamento e aprender a melhorá-los.
E, se mesmo assim, a ferida estiver lá, se a dor continuar é importante reconhecê-la, aceitá-la, incorporá-la, não escondê-la.
Tudo o que escondemos, só nos complica.
Esconder o fracasso, a dor, a mágoa só os torna maiores, mais fortes e complicados.
Quem admite um fracasso mostra coragem para enfrentar mudanças. Muitos relacionamentos estão tanto ou mais fracassados e nem assim essas pessoas se atrevem a encará-los. Fazem mil ginásticas para ocultar o óbvio.
Aprender a fracassar, a enfrentar os insucessos é um dos caminhos para aprender a viver, a crescer, a encontrar novas formas de conviver com os outros, novas formas de trabalho e de atividade profissional.
O foco fundamental é tentar ir modificando-nos, até onde nos for possível, incorporando o fracasso como uma etapa da vida, como uma experiência de aprendizagem.
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